As 1001 noites
Quem conseguir uma versão completa de As 1001 Noites, vai notar que os vários volumes repletos de histórias não somam as prometidas mil e uma. Na verdade, desde a primeira edição ocidental, traduzida para o francês em 1704 por Antoine Galland, as histórias nunca passaram de 281.
Para quem reclamou sobre as 720 restantes, foram dadas duas explicações diferentes. Uma delas é que cada história divide-se em vários capítulos, cada um correspondendo a uma das noites, que seriam mesmo 1001 no total. Outra desculpa é que o número 1001 nada mais seria que uma hipérbole, um exagero literário indicando um número enorme de histórias. A verdade é que As 281 Noites não seria um título tão convincente.
Traído por sua esposa, um sultão resolve punir todas as mulheres do seu reino pelo crime de uma só. E passa a ser lei que a cada noite desposará uma nova mulher, para matá-la na manhã seguinte. A filha do vizir, Sherazade, elabora um plano para botar um fim no massacre. Oferece-se para casar com o sultão, e na noite de núpcias começa a contar-lhe uma história, deixando-a inacabada ao amanhecer. Curioso para saber o desfecho, o sultão permite que a moça viva mais um dia para terminar a história. E assim Sherazade continua suas narrativas, parando sempre ao amanhecer num momento de suspense, para que o sempre curioso sultão lhe conceda mais um dia de vida. Ao final das 1001 noites de histórias, o sultão já tem três filhos com Sherazade e está apaixonado pela esposa. Decide acabar com a sua vingança e abolir a lei das esposas, e como em qualquer conto de fadas que se preze, vivem todos felizes para sempre.
As 1001 Noites é um conjunto de fábulas morais encaixadas nos costumes sociais do Oriente Médio, onde o herói quase invariavelmente se transforma em milionário. Dentre as histórias mais famosas estão as de Aladin (o rapaz preguiçoso que se transforma num príncipe graças à ajuda de um gênio encontrado numa garrafa), de Sinbad (o marinheiro que fica rico em sete viagens fantásticas) e de Ali Babá (que consegue fortuna enganando os famosos quarenta ladrões).
Existem inúmeras versões de As 1001 Noites, originadas de incontáveis traduções diferentes. A menção mais antiga a uma história chamada O Livro das Histórias das Mil Noites, tendo já como protagonista uma tal Shahrazâd, é do século IX. Durante séculos, várias versões são mencionadas aqui e ali, mas somente no século XVIII o interesse aumenta significativamente, com a tradução de Antoine Galland. As versões mais populares hoje em dia são as que se baseiam em traduções de Sir Richard Burton (1850) e Andrew Lang (1898), geralmente adaptadas para eliminar as várias cenas de sexo do original.
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