[SONETO NAPOLEÔNICO]
Os textos do bocage são fantasticos...sem comentários...a linguagem é fenomenal....puta eroticos, completamente pecaminosos
(1) [SONETO NAPOLEÔNICO] Tendo o terrível Bonaparte à vista, Novo Aníbal, que esfalfa a voz da Fama, "Ó capados heróis!" (aos seus exclama Purpúreo fanfarrão, papal sacrista): "O progresso estorvai da atroz conquista Que da filosofia o mal derrama?..." Disse, e em férvido tom saúda, e chama, Santos surdos, varões por sacra lista: Deles em vão rogando um pio arrojo, Convulso o corpo, as faces amarelas, Cede triste vitória, que faz nojo! O rápido francês vai-lhe às canelas; Dá, fere, mata: ficam-lhe em despojo Relíquias, bulas, merdas, bagatelas. (1) Este soneto foi escrito na ocasião em que o exército francês comandado por Bonaparte invadira os estados eclesiásticos (1797), chegando quase às portas de Roma, e ameaçando o solo pontifício. O verso nono: "Delas em vão rogando um pio arrojo," envolve uma espécie de equívoco, ou como hoje se diria um calemburgo [ou trocadilho]; porque Pio VI era o papa, que então presidia na "universal igreja de Deus". O penúltimo verso lê-se em algumas cópias do modo seguinte: "Zumba, catumba; ficam-lhe em despojo". [nota da fonte]


